Os Jornais no Distrito da Guarda

Publicado por Levi Manuel Coelho a 30 Dezembro 2010

Embora de raízes mais remotas a imprensa jornalística, com as características de publicação periódica e contínua, só começa a ser, em Portugal, um fenómeno de comunicação em expansão a partir do final da primeira década do séc. XIX. A atestá-lo, surge, em 1821, a primeira Lei sobre liberdade de imprensa.

Num país de forte analfabetismo é natural que mesmo os jornais de maior tiragem tenham um público limitadíssimo. Os "grandes jornais" como "o Diário de Notícias" (1864) ou "O Século" (1881), surgem assim tardiamente. Fenómeno comum a várias regiões de Portugal, é o aparecimento nas duas últimas décadas do século XIX, de um número crescente de Jornais de âmbito regional e local. No Distrito da Guarda, assim acontece. Numa primeira fase, anterior a 1910, saem do prelo os primeiros quatro jornais do Distrito, de entre os quais, o "prematuro" e republicano "O Povo Português"(1882). A estes seguem-se outros em Trancoso e Pinhel, todos ligados à propaganda de ideias republicanas. Após a implantação da república surgem, um pouco por todo o Distrito, com especial concentração na Guarda e em Seia, diversos jornais, que na sua esmagadora maioria se assumem claramente como meios de propaganda do ideário republicano. Estes, constituirão uma fonte, que embora por vezes tenha de ser analisada à luz da parcialidade que lhe é subjacente, de extrema importância para a reconstrução da história, ainda recente, das diversas comunidades do Distrito durante a implantação do regime republicano.