Afonso Augusto da Costa (1871 – 1937)

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Afonso Augusto da Costa (1871 – 1937)

Republicano, maçon, professor universitário, advogado, político, estadista e diplomata, Afonso Costa, foi, talvez, a figura mais marcante e carismática da I República. O percurso invulgar da sua existência terá começado no momento do seu nascimento. Natural de São Tiago, Seia, aparece no registo de baptismo (ver documento) como Affonso Maria de Ligório, exposto, encontrado à porta de uma Maria d' Assumpção, fazendeira, na noite de 6 de Março de 1871.

Será mais tarde perfilhado, pela sua mãe Anna Augusta Pereira, conforme consta de escritura de perfilhação de 8 de Outubro de 1884 (ver documento).

Fez os seus primeiros estudos em Santa Marinha, depois na Guarda. Com 19 anos frequentava o segundo ano de Direito em Coimbra. E é nesta cidade que começa a sua adesão à causa republicana, sendo próximo de José Falcão e Magalhães Lima. É aluno brilhante, conclui o curso em 1895 e passados poucos meses conclui o seu Doutoramento, apresentando dissertação sobre "A Igreja e a Questão Social", obtendo assim o Grau de Doutor. Inicia a carreira de docente universitário em 1896. Republicano, a sua actividade política intensifica-se gradualmente a partir de 1893. A partir de 1905, deixa a docência universitária, passando a dedicar-se à política e à advocacia, onde é profissional de renome.

Como deputado republicano, desde 1899, são conhecidos os seus dotes oratórios e a sua agressividade. Em 1905, adere à maçonaria. A partir de 1909, Afonso Costa, torna-se adepto da via revolucionária para derrube do regime monárquico.

Após a implantação da república assume, por diversas vezes, funções governativas - ministro da justiça (1910-11), das finanças (1913-14 e 1915-17), Presidente do Ministério (1913 a 1917). Foi o autor, ou esteve intimamente ligado, à estruturação do regime republicano, que se alicerçou num novo ordenamento jurídico: a Constituição de 1911, as Leis do Registo Civil, da Família, do Divórcio, da Separação do Estado e da Igreja, do Inquelinato, da Reorganização Judiciária, da Expulsão das Ordens Religiosas (houve quem lhe chamasse o "novo mata frades"), entre outras.

Foi um defensor da participação de Portugal na I Guerra Mundial.

Afastado do poder, foi o principal promotor da revolta contra a ditadura de Pimenta de Castro (1915) e opositor de Sidónio Pais (1917), o que o conduziu à prisão e depois ao exílio em Paris (1918).

Não mais exerceria funções politicas em Portugal, preferindo permanecer no estrangeiro, onde acabou por desempenhar diversas missões diplomáticas importantes: chefiou as representações portuguesas à Conferência da Paz (1919) e à Sociedade das Nações (1920 e 1925-26), onde chegou a presidir à sua Assembleia Geral (1926).

Após a ditadura militar de 28 de Maio de 1926, foi afastado de todos os cargos. Foi um opositor a Salazar, o que lhe custou o exílio em Espanha e França.

A 11 de Maio de 1937, falece em Paris, vítima de doença súbita.