Arnaldo Bigotte de Carvalho (1865 – 1946)

Publicado em Personalidades

Arnaldo Bigotte de Carvalho (1865 – 1946)

Advogado e político republicano, nasceu no Sabugal, em 1865, faleceu em Lisboa, em 1946 (ver doc.). Cursou Direito em Coimbra, onde se formou (1895), e aí foi contemporâneo e amigo de António José de Almeida. Ao convívio com o futuro tribuno e líder da República não terá sido alheia a adesão de A. B. C. ao seu ideário. No libelo que então publicou – Desafronta (História d'uma perseguição) -, AJA cita Arnaldo Bigotte, certamente já desiludido pelo fracasso da revolta do Porto, em que participara. Fora um dos "estudantes na revolta", como registam João Chagas e o ex-tenente Coelho no seu livro sobre a insurreição republicana de 31 de Janeiro de 1891.

Proclamada a República, logo no dia seguinte AB recebeu um telegrama de Lisboa, que lhe comunica ter sido nomeado governador civil da Guarda, cargo de que tomou posse em 7 de Outubro. No seu discurso, apelou à moderação e à colaboração de todos numa hora grave para o país.

Em 1911 a Lei da Separação provocou grande mal-estar e o episcopado sentiu ser seu dever lavrar um protesto colectivo contra o que considerava ofensivo da Igreja. A esse documento terá dado um relevante contributo o bispo da Guarda, D. Manuel Vieira de Matos, um dos mais ilustrados membros do episcopado português. A diocese da Guarda, alvo já de expropriações e retaliações, foi ainda surpreendida pela ordem de expulsão do seu bispo, dimanada do ministro da Justiça e Cultos, Dr. Afonso Costa. O governador civil não terá mostrado zelo no cumprimento das ordens superiores, decerto por as julgar contrárias à tolerância religiosa proclamada pela propaganda republicana. Arnaldo Bigotte não foi demitido (ver-se-á nisso a mão amiga do Dr. António José de Almeida?), mas a sua posição tornou-se insustentável e acabou por pedir a exoneração em 30 de Março de 1912. (João Bigotte Chorão)