Francisco Pinto Balsemão (1852 – 1912)

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Francisco Pinto Balsemão nasce, no concelho do Sabugal, na freguesia de Alfaiates, e segundo os elementos existentes nos registos paroquiais desta freguesia, é baptizado a 24 de Novembro de 1852 (ver doc.-PT/ADGRD/PRQ/PSBG07/001/00001), tendo nascido oito dias antes, sendo filho de Narciso da Fonseca Pinto e Maria Carriça. Falece em Lisboa, a 10 de Abril de 1912.

Cedo, inicia a sua actividade comercial, na Guarda, na casa Comercial Batoréu, como simples marçano.

Homem de grande iniciativa, em poucas décadas, torna-se num empresário importante, e o seu casamento com Luzia Patrício, filha de Francisco António Patrício, outro rico empresário, vem propiciar os seus negócios e fortuna. Torna-se sócio do sogro, nas empresas de Lanifícios do Rio Diz e na Empresa da Luz Eléctrica.

Para a Guarda foi de grande importância o estabelecimento da rede pública de iluminação eléctrica, inaugurada a 1 de Janeiro de 1989, facto a que também está ligado o nome de Francisco Pinto Balsemão.

O processo de electrificação inicia-se em Março de 1896, data em que a Camâra Municipal abre "concurso por espaço de 90 dias para o fornecimento da iluminação desta cidade, por meio da luz eléctrica".

Apenas surge uma proposta, a de Francisco Pinto Balsemão, que é aceite. No entanto, o seu papel não foi apenas o de um empresário de sucesso, pois adere às ideias republicanas, participando no 31 de Janeiro de 1891, o que o leva ao exílio na Galiza.

Participa na imprensa republicana, tendo estado ao lado do Dr. José Ribeiro de Castro, fundador do Jornal do Povo, primeiro semanário republicano de província.

Em 6 de Outubro de 1904, é criado por José Augusto de Castro, o jornal O Combate, também apoiado por Francisco Pinto Balsemão. Quando em 1908 Afonso Costa vem à Guarda, 45 egitanienses, encabeçados por Francisco Pinto Balsemão, José Augusto de Castro e José de Lemos, entregam uma missiva ao líder republicano, agradecendo o seu papel na política nacional.

Com a difusão na Guarda da propaganda republicana, cria-se em 9 de Setembro de 1909 a Comissão Municipal Republicana, de que fazem parte, para além de outros, Eduardo Proença e Pinto Balsemão. Com a proclamação da República, é indigitado para assumir a liderança do Centro Republicano da Guarda, o que recusa, pois sente-se mais vocacionado para os negócios.

Neste primeiro centenário da República, a Guarda não deve esquecer a figura deste homem que a pulso subiu na vida, prestando grandes serviços à cidade e à República.

(Maria Ângela Ramos)