Ladislau Fernando Patrício (1883 – 1967)

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Ladislau Patrício nasceu na Guarda a 7 de Dezembro de 1883 (ver doc.-PT/ADGRD/PRQ/PGRD42/001/00025), filho de Fernando António Patrício (natural de Freixeda do Torrão - Figueira de Castelo Rodrigo) e de Adelaide Sofia Rodrigues Outeiro (natural da Guarda). Na cidade da Guarda completou os estudos liceais e após a sua conclusão ingressou na Universidade de Coimbra, onde estudou medicina, terminando a sua licenciatura a 30 de Setembro de 1908.

Iniciou a sua actividade profissional como médico municipal em Loulé, em 1909, vindo pouco depois para a Guarda onde, além de médico foi também professor no Liceu Nacional onde leccionou, durante alguns anos, as disciplinas de Ciências Naturais e de Matemática.

Juntamente com o seu cunhado, o poeta Augusto Gil, envolveu-se em questões de natureza política relacionadas com a propaganda republicana e defesa da República. Viria mesmo, em 1911, a ser Presidente da Comissão Municipal Republicana do Concelho da Guarda.

Entre 1917 e 1919, dirigiu o Sanatório Militar de S. Fiel, em Louriçal do Campo (Castelo Branco), onde coordenou o tratamento dos militares do Corpo Expedicionário Português que voltavam da Primeira Guerra Mundial tuberculosos. De tal actividade, deixou testemunho num relatório que publicou, em 1920, intitulado "A assistência em Portugal aos feridos da guerra por tuberculose".

Regressou novamente à Guarda e em 1922, passou a trabalhar (como subdirector) no Sa­natório Sousa Martins (1922 a 1934). A partir de 1934, foi nomeado director do referido Sanatório.

Em 1949 foi nomeado médico municipal, subdelegado de saúde do concelho da Guarda e vogal do conselho geral da ordem dos médicos.

Um dos principais projectos de Ladislau Patrí­cio concretizou-se em 31 de Maio de 1953, com a inauguração do Pavilhão Novo do Sanatório Sousa Martins, com 250 metros de comprido e com 350 leitos destina­dos exclusivamente a doentes pobres

Para além da sua actividade profissional, a partir de finais da década de 40, no Sanatório Sousa Martins, torna-se um notável impulsionador da radiodifusão. Terá sido o autor do primei­ro regulamento da Rádio Altitude (1947), rádio onde colabora regularmente.

Foi também ensaísta e conferencista, escrevendo em revistas científicas e intervindo em congressos de medicina. No âmbito da produção de obras de natureza científica publicou: "O Bacilo de Koch e o Homem" (1940), que foi uma das obras mais relevantes no estudo da tuberculose em Portugal e "Altitude: o espírito na Medicina" (1938). Deixou também relevante produção literária própria, em géneros diversos - poesia, ficção e drama. Faleceu em 25 de Dezembro de 1967.